UXSnack
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A Era Agêntica: o que muda no Product Design?

Os agentes de IA estão a mudar a forma como interagimos com produtos, e podem tornar muita da interface que conhecemos menos relevante.

Parte do guia Design for AI

Lembras-te da frase “No interface is the best interface”? Com os agentes de IA a assumirem cada vez mais tarefas nos bastidores, pode ser mais verdade do que nunca. Menos ecrãs, menos menus, menos botões.

Imagina dizer apenas “Planeia-me a viagem a Londres” e ter o teu agente a tratar de tudo: sem clicar, sem pesquisar, sem interface. Esta mudança sugere que, nos próximos 10 a 20 anos, o design de interfaces como o conhecemos pode passar para segundo plano.

Mas antes de avançar, vale a pena clarificar a diferença entre assistentes e agentes de IA.

AI Agents Model

Figura 1: Como funcionam os agentes de IA (ilustração própria, baseada em VAI LABS, 2023).

Assistentes vs. agentes de IA

Assistentes: reativos, conversacionais, lidam com tarefas simples. Esperam pelo comando e respondem. Mais próximo de enviar uma mensagem a um amigo, sem setup complicado.

Agentes: autónomos, orientados para objetivos, desmontam tarefas complexas em passos e executam-nas sem supervisão constante. Aprendem e adaptam-se ao longo do tempo, integram informação externa quando precisam, trabalham em silêncio e só interrompem quando faz sentido.

A diferença prática: um assistente responde quando o chamas; um agente já começou a trabalhar antes de perceberes que precisavas.

O que muda na experiência

Desenhar para interações com IA. As interfaces passam a facilitar comunicação entre pessoas e agentes. Emerge um padrão novo, conversational design, onde o agente antecipa necessidades e age proativamente. Um exemplo: o agente reagenda um voo se detetar um atraso, sem esperar que peças (AI-First UX Design in 2025).

Experiência adaptativa. Os agentes aprendem e ajustam-se. O produto que um utilizador encontra hoje não é exatamente o mesmo que encontra daqui a seis meses. É preciso desenhar para esse dinamismo sem perder intuitividade (The Future of UX Design).

Considerações éticas. Com os agentes a tomar mais decisões, privacidade, enviesamento e transparência tornam-se centrais. O sistema tem de explicar as suas decisões e respeitar os direitos de quem o usa. Os princípios éticos para Design de IA são um ponto de partida útil, tal como o UX of AI.

Compreender os próprios agentes. Como designer, passa a ser fundamental perceber as capacidades e limitações dos modelos: linguagem natural, análise de dados, tomada de decisão. Saber quando intervir e quando deixar o agente correr (AI capabilities and examples).

Como os modelos mentais vão mudar

Nesta nova era, as pessoas precisam de perceber e confiar nos agentes, o que é muito diferente de perceber uma interface tradicional. Desenhar para confiança e transparência passa a fazer parte do trabalho, para que cada pessoa se sinta confortável com as ações que o sistema executa em seu nome (Getting beyond the AI assistant).

Estes são sistemas dinâmicos, que aprendem e se adaptam, não entidades estáticas. Ter uma visão sistémica ajuda a desenhar produtos que evoluem com o utilizador e com os dados (Exploring AI Agents).

Conclusão

Tempos empolgantes. Como designers, vamos ter de prestar atenção a modelos mentais em mudança e a interações em evolução. A ascensão dos agentes desafia muitos dos paradigmas tradicionais e convida-nos a repensar o que é uma boa experiência num mundo impulsionado por IA.

Estás pronto para a Era Agêntica?

Para aprofundar: ver o guia Design for AI com a síntese completa, Modelos mentais para Design com IA, Orquestração multi-agente para designers, e Capability discovery em experiências agentic.

Foto de João Ferrão

João Ferrão

Product Designer · UXSnack

Product designer focado em Design for AI e Design for Health. Partilho notas sobre os detalhes que mudam a experiência.